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November 19, 2006

A falência do modelo Sueco

Na segunda semana de Setembro saiu na revista The Economist um “special report” sobre a Suécia. Algo digno de leitura especialmente por aqueles que ainda vêem este país como uma prova de que o modelo social do "welfare state" é viável.
Entre os dados dados referidos no artigo temos:

- A Suécia passou do 4º país mais rico da OCDE em 1970 para o 16º lugar em 1998. Sendo que o crescimento económico depois de 1950 não se compara ao que foi entre 1870 e 1950. A percentagem do PIB per capita sueco como percentagem da média na OCDE passou de, perto dos, 120 no ano de 1950 para perto de 95 em 2004.

- Em relação ao emprego segundo um estudo da McKinsey Global Institute a veradeira taxa de desemprego na Suécia devia ser de 16-17%, pois a taxa de desemprego exclui aqueles que estão nos programas de trabalho do governo, os que são forçados a reforma antecipada, os estudantes que preferiam trabalhar. É também referida a elevada taxa de absentismo e o largo número de ausências prolongadas por doença que constituem 16% dos gastos públicos. Sendo que as pessoas em ausência prolongada por doença são considerados como estando a trabalhar.
Refere também o facto de a variação da variação cumulativa de emprego no sector privado ser praticamente nula desde 1950. Em oposição ao que se passa no sector público aonde não só tem aumentado como perto de 30% da população trabalha actualmente para o Estado.

- Outro dado interessante é que a eficiência no uso de inputs pelo sector público na Suécia é bastante baixa quando comparado com economias como os EUA, Suiça, Grã-Bretanha, Espanha ou Alemanha.

- Num outro numero da mesma revista encontrava-se ainda ainformação de que o governo Sueco arrecadou em 2005 perto de 51% do PIB em impostos em oposição por exemplo aos EUA em que esse valor foi perto de 26% do PIB.

Pode ser muito tentador a muita gente achar que um modelo social em que as pessoas podem ficar em casa desempregadas recebendo um bom salário ou que favorece o absentismo e as baixas prolongadas é um bom modelo. Estas pessoas esquecem-se no entanto que as regalias de uns são assim conseguidas às custas de outros. Que elevados subsídios de desemprego estimulam as pessoas a ficar em casa e não procurarem emprego.
Existe também a questão de que o Estado não gera riqueza é antes o sector privado que o faz. Ora as medidas necessárias à manutenção deste modelo como impostos elevados são penalizantes para o dito sector privado.
Esquecem-se também que a Suécia tem conseguido manter este modelo graças à riqueza e ao grau de evolução tecnológica e cultural alcançados em oitenta anos de elevado crescimento económico e progresso durante os quais este modelo social não existia e com o qual esse nível de crescimento seria impossível.Essse nível de crescimento prolongado é algo que nunca ocorreu em Portugal.
Por fim este modelo tem ainda o grave problema de criar um ciclo vicioso auto-destrutivo. Ou seja, quantas mais pessoas forem beneficiadas por este modelo tantas mais se oporão á mudança para outro, por muito injusto que este modelo se torne ou por muito prejudicial que seja ao país. Nós podemos constatar isto não só na Suécia, como na Alemanha, França e Portugal. Basta lembrar as recentes greves da função pública.

Publicado por João Vasco às November 19, 2006 02:22 PM

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