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November 12, 2006
A mão-de-obra "escrava" e o humanismo "caseiro"
Não se pode partir do princípio de que as pessoas desejem o mal dos seus semelhantes, e por consequência o próprio mal, por pura maldade. Se bem que exista por vezes um certo espírito que parece tomar conta de pessoas e organizações que se eleva acima delas e que espartilha e corrompe aqueles que nelas se integram.
Não acredito pois que quando certas pessoas, Mário Soares incluído, acusem a China de utilizar mão-de-obra "escrava" para concorrer nos mercados externos o façam com a intenção perversa de utilizar um argumento humanista para prejudicar aquilo que é um dos maiores resgates de seres humanos que viviam na miséria extrema para melhores condições de vida. Imagino que ignorem que na última década os salários em muitas regiões chinesas tenham aumentado a uma taxa média de perto de 10% ao ano e que aqueles que pelos nossos padrões trabalham por uma ninharia para os padrões deles trabalham por uma soma razoável. Imagino também que essas pessoas ignorem que esta é a única forma de um país conseguir o grau de evolução e bem-estar que se vive hoje no mundo ocidental; processo pelo qual todos países desenvolvidos já passaram, EUA incluídos. Imagino por fim que essas pessoas não utilizem esse argumento pérfido com a intenção de assegurarem o bem-estar de Portugal às custas do mal-estar de outros países como a China. Bush expressava há uns meses, numa palestra, a ideia de que os proteccionismos são prejudiciais. Segundo ele a Grande Depressão foi antecedida exactamente de uma forte onda de nacionalismos e proteccionismos, o caminho para ganhar face à concorrência de países como a China é exactamente fazendo melhor e seguindo em frente.
Como é diferente o verdadeiro humanismo que resulta de uma atitude pragmática do humanismo "caseiro".
Publicado por João Vasco às November 12, 2006 01:31 PM