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November 25, 2006

A vergonha europeia: O nosso país continua a perder a corrida

O país continua a perder a corrida em relação ao resto da Europa e penso mesmo que se pode dizer que nos tornámos na vergonha ou na anedota do velho continente.
Mesmo os grandes e indolentes países europeus como a Alemanha, França e Itália conseguem ter taxas de crescimento do PIB mais elevadas que Portugal e estão a ultrapassar melhor a crise. Os países da Europa de leste aproximam-se perigosamente ou preparam-se para nos ultrapassar. Por outras palavras Portugal continua a distanciar-se em termos de crescimento económico da média na UE. Estamos a crescer mais em circunstâncias favoráveis, mas não tanto quanto o governo apregoa e com uma diferença cada vez maior em relação à média comunitária.
O governo apresenta-nos um optimismo infundado. Porque muito pouco foi feito de necessário e eficaz, estamos a depender da sorte algo muito perigoso em Democracia e algo que não é mesmo o objectivo da dita Democracia.
O grande problema em Portugal é que continuamos a tentar viver como se fossemos um país "rico" e avançado sem ter a humildade de descer do pedestal como fizeram a Irlanda, Estónia, Republica Checa, Eslovénia entre outros e meter mãos à obra. É importante sermos humildes pois não é sendo arrogantes e vaidosos que vamos evoluir alguma vez.
Estes últimos países que mencionei tomaram consciência da situação em que estavam, e a de alguns era muito má. Um bom exemplo disso é a Estónia, um país completamente falido. Mas “aqueles que se humilham serão exaltados e os que se exaltam serão humilhados” e por isso hoje têm taxas elevadas de crescimento do PIB, a Irlanda é mesmo o segundo país mais rico da Europa a seguir ao Luxemburgo com taxas de desemprego anormalmente baixas na Europa. A Irlanda já foi pobre como nós, lembram-se?
Países como a Irlanda ou a Estónia tomaram medidas que passaram por reforma do sistema fiscal incluindo a utilização do badalado “flat tax”na estónia, tratam-se de mudanças em que as empresas e os rendimentos mais elevados deixam de ser penalizados pelo Estado. No caso do flat tax a percentagem tributada é a mesma para todos os escalões de rendimento. Outras medidas tomadas são a redução do número de funcionários públicos e aumento da flexibilidade dos contratos, por outras palavras é mais fácil e barato despedir os trabalhadores. Encontramos também muitos destes países entre os que têm menores custos de produção ou entre os países aonde é mais fácil abrir um negócio, etc.
Menores custos de produção não querem dizer menores salários embora num país como o nosso em que produtividade é baixa tenha que passar por ai. Por exemplo os EUA têm um custo unitário de trabalho baixo, bastante mais baixo que a maioria dos países europeus incluindo Portugal, excepção feita, claro, para a Irlanda. Porém os empregados de manufactura nos EUA são melhor recompensados do que na Europa, os custos são baixos porque a produtividade é elevada. É no entanto necessário chegar a esse patamar de evolução mas isso só acontece com o tempo e experiência e é impossível não começar por baixo.
Os portugueses querem segurança e querem viver na opulência, porém não existe “segurança” à força ou à custa dos outros. A “segurança” que procuramos cria graves injustiças sociais, uns têm empregos vitalícios e outros empregos precários ou não têm sequer emprego. Sem contar que a nossa busca de “segurança” conduz o país à insegurança e ao descalabro. Será isto patriótico? Não existe progresso sem esforço. Os descobrimentos não foram obra de homens covardes ou com falta de visão, não foram homens indolentes ou ciosos do seu bem-estar que cruzaram os oceanos em frágeis naus rumo a um destino desconhecido mas glorioso. Também não partiram à toa, tudo foi bem planeado.
E hoje não temos homens de acção nem sonhadores pragmáticos?

Publicado por João Vasco às November 25, 2006 03:47 PM

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