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November 04, 2006

País ou formigueiro?

Não existe no nosso país aquilo a que se possa chamar o pensamento independente. Pelo menos não a uma escala em que faça a diferença. Existe no nosso país a triste tradição de militar numa ideia, num partido ou num líder. O problema é que se olharmos para a política portuguesa todos esses “rios” que são os partidos têm uma fonte comum, caso atípico na natureza, sendo essa fonte baseada na ideologia socialista, baseiam-se todos no mesmo conceito de Estado e pior que isso num conceito a meu ver errado de Estado. Ora não existem verdades absolutas e as minhas são tão verdadeiras enquanto palavras como as de qualquer outro. Eu, porem, gostava de ter essa escolha, gostava de poder votar no partido anti-Estado, por oposição ao partido do super-Estado. O problema é que em Portugal apenas temos os partidos do super-Estado. Por partido anti-Estado não entendo um que vise a abolição do Estado, por muito que essa ideia fosse tentadora, mas que vise a redução do mesmo à sua insignificância ou melhor à sua significância uma vez que o conceito de Estado de que comungo é apenas o de organização democrática que garante os direitos e liberdades dos cidadãos, que gere as suas instituições (as estritamente necessárias) com vista a servir os cidadãos. É óbvio que tal instituição nunca poderá ser 100% democrática nem o é em qualquer parte do mundo no entanto deve sê-lo o mais possível.
Ora o conceito de democracia tal como o de liberdade não pode assentar sobre outro pressuposto senão o da responsabilidade individual ou pelo menos na da maior parte dos cidadãos que compõem a nação. Não existe liberdade sem responsabilidade. A ideia de que podemos viver em Democracia e consequentemente em liberdade assenta no pressuposto de que somos responsáveis o suficiente e emancipados o suficiente para não termos que viver numa Ditadura. Assenta também no pressuposto de que somos homens capazes ou seja de que na nossa maioria nos valemos a nós mesmos que somos capazes de sonhar e idealizar e realizar aquilo que sonhamos e idealizamos e que não desejamos ver as nossas liberdades reduzidas pela existência do Estado ao estritamente necessário. Ora o super-Estado ao qual vivemos acorrentados é um atentado à liberdade individual e aos princípios referidos sobre os quais assenta a Democracia. O super-Estado é pois anti-democrático. Alem disso, nós encontramos a prova em Portugal, pelo mau desempenho das instituições públicas, de que o super-Estado não cumpre sequer a sua função de servir o cidadão.
Estamos pois a viver num formigueiro, aonde o super-Estado é a formiga rainha para a qual todas as formigas laboram.
Como dizia Ronald Reagan: “There is only an up or down — up to a man's age-old dream; the ultimate in individual freedom consistent with law and order — or down to the ant heap totalitarianism, and regardless of their sincerity, their humanitarian motives, those who would trade our freedom for security have embarked on this downward course.”
Agora entendo aonde estamos metidos.

Publicado por João Vasco às November 4, 2006 05:59 PM

Comentários

Pois é.
Mas isso implicava, antes de tudo, que as pessoas tivessem a noção do conceito "estado" percebessem, pelo menos que o "estado" é o cunjunto de cidadãos e não uma super estrutura que humilha o verdadeiro estado.
Implicaria tb a noção do conceito de cidadania. etc etc.

Publicado por: João Norte às November 5, 2006 10:42 AM

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