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November 28, 2007
Anestesia geral não cura mas faz-te sentir melhor
O silêncio de fundo e a sensação de tranquilidade em relação à situação económica do nosso país faz-me acreditar que o PS conseguiu aquilo em que se tem tornado exímio, pregar com uma anestesia geral em Portugal. Toda a gente sabe que no fundo as coisas continuam mal mas há uma estranha sensação de que tudo está bem.
Parece no entanto que este efeito não chega além fronteira. Foi ontem divulgado pelo Jornal de Negócios que o BNP Paribas estima uma desaceleração da economia portuguesa em 2008 com um crescimento do PIB de 1,5% contrariando as previsões do Governo e Banco de Portugal que apontam para os 2,2%, e que representa um decréscimo face aos 1,8% previstos para este ano.
É possível que o Governo tenha dados que o BNP Paribas não possui,ou é possível que o BNP esteja a contar com os desenvolvimentos recentes na economia mundial, mas uma coisa é certa: A melhoria económica que se fez sentir em 2007 foi fruto de uma melhoria da conjuntura económica internacional e não de uma melhoria nos factores internos. Melhoria da situação económica em países importadores de produtos nacionais, aumento dos preços do petróleo e minérios que tornou competitiva a produção nacional nessas áreas e àreas afins, tudo isso levou a um aumento das exportações que beneficiou o crescimento económico. O problema é que uma recessão nos EUA parece cada vez menos improvável e se tal suceder (e mesmo que não suceda um abrandamento é certo) de arrasto vão provavelmente ser penalizados países como a Alemanha e Espanha grandes importadores de produtos nacionais. O euro continua a valorizar em relação ao dólar o que também é negativo para as exportações nacionais.
Por fim ao nível doméstico o elevado grau de endividamento das famílias e empresas aliado ao aumento das restrições na concessão de crédito vão provavelmente penalizar o consumo interno e o investimento privado.
Não foram tomadas quaisquer medidas relevantes para resolver os problemas de fundo que tiram competitividade à economia nacional. Problemas esses apontados pelo BNP Paribas: tais como a rigidez do mercado de trabalho, falta de investimento na investigação e melhoria da concorrência no mercado doméstico.
O governo tem uma maioria e o claro apoio dos portugueses. Entre as qualidades dos cidadãos deste país conta-se o estoicismo, infelizmente este estoicismo é amiúde empregue em sacrifícios que não resolvem o problema. O Governo devia ter a coragem de explicar às pessoas o que se passa e quais as medidas a tomar e tomá-las e as pessoas a coragem de perceber que este país é de todos e não de alguns, e que sacrifícios são necessários para que haja mais justiça, a oposição devia ter o altruísmo de apoiar o que esteja certo e não ceder ao populismo. Caso contrário corremos o risco de passar mais 8 anos alienados, entre resultados maus e medíocres, a ouvir canções de embalar de José Sócrates e com alimentação intravenosa de fundos comunitários.A acreditar que promovendo o genocídio infantil (leia-se aborto) nos tornamos mais desenvolvidos. Para descobrirmos ao fim desse tempo que as coisas estão ainda piores, que mais 3 ou 4 países na EU já nos tomaram a dianteira e que estamos de novo a ser apanhados pelos últimos do pelotão.
Publicado por João Vasco às November 28, 2007 07:26 PM